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CRONOGRAMA DA OFICINA – 2º SEMESTRE (PARTE II)

A obra do diretor François Truffaut – um dos criadores da Nouvelle Vague francesa –, é o tema deste módulo da oficina "Literatura no Cinema". A cada semana, uma obra é comentada pela professora e debatida com os participantes. Às terças-feiras são exibidos os filmes e, às quintas-feiras, são abordadas as obras literárias. Os encontros acontecem entre 20 de outubro e 12 de novembro (sempre com início às 19h).

 

Outubro de 2009

Dia 20 – Apresentação do filme “A Noiva Estava de Preto”.

Dia 22 – Discussão sobre o livro “A Noiva Estava de Preto”, de Cornell Woolrich.

Dia 27 – Apresentação do filme “Jules e Jim”.

Dia 29 – Discussão sobre o livro “Jules e Jim”, de Henri-Pierre Roché.

 

Novembro de 2009

Dia 03 – Apresentação do filme “Fahrenheit 451”.

Dia 05 – Discussão do livro “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury.

Dia 10 – Apresentação de “O Garoto Selvagem”.

Dia 12 – Discussão sobre o livro “O Garoto Selvagem”, de Jean Itard.

 

BIBLIOTECA PÚBLICA ROBERTO SANTOS

(TEMÁTICA EM CINEMA)

R. Cisplatina, 505, Ipiranga (zona sul), São Paulo, SP

Tel: (11) 2273-2390 e (11) 2063-0901

 

TODA A PROGRAMAÇÃO DAS BIBLIOTECAS DE SÃO PAULO É GRATUITA

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Catraca Livre em 20/10/2009

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1. INQUISIÇÃO

 

Título original do filme: Inquisition

País de origem: Inglaterra

Ano da produção: 2002

Direção: Betsan Morris Evans

Elenco: Derek Jacobi, Alun Armstrong, Stephen Billington, John Dallimore, David Henley, David Kolton e Henry Evans Harding

Duração: 48 min

Baseado no livro “Os Irmãos Karamazov”, de Fyodor Dostoievski

Filme apresentado no dia 11/08/2009

 

Na Espanha de 1680, em plena Santa Inquisição, um desconhecido devolve a visão a um cego e ressuscita uma menina morta; pedindo segredo às testemunhas. Há rumores que esta é a segunda vinda do Messias. O homem é levado até a presença do Grande Inquisidor. Questionado sobre seus atos e torturado, ele prefere manter-se em silêncio.

 

Produção inglesa feita para a TV, baseada no conto inserido em “Os Irmãos Karamazov” (omitido da versão cinematográfica de 1958, dirigida por Richard Brooks). As indagações levantadas pelo Inquisidor revelam as preocupações da Igreja Católica, que vê seu poder ameaçado pelo suposto Cristo. Em seu monólogo, ele lembra o povo detesta a liberdade. As ovelhas precisam de alguém que, além de oferecer o pão, também redima os pecados alheios – e é por isso que eles recorrem à Igreja.

 

A humanidade não funciona sem milagres e já que o Salvador renunciou aos reinos da Terra, o Inquisidor reivindica para si o que Cristo rejeitou. O personagem do monge jovem, ausente no texto original, serve como recurso para introduzir a história ao espectador. Com interpretações quase teatrais, o filme representa uma bela reconstituição de época.

 

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do livro de Fyodor Dostoievski

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Trecho do filme:

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2. NINA

 

Título original do filme: Nina

País de origem: Brasil

Ano da produção: 2004

Direção: Heitor Dhalia

Elenco: Guta Stresser, Myriam Muniz, Sabrina Greve, Luíza Mariani, Juliana Galdino, Milhem Cortaz e Ailton Graça

Duração: 85 min

Baseado no livro “Crime e Castigo”, de Fyodor Dostoievski

Filme apresentado no dia 18/08/2009

 

Da mesma forma que Raskólnikov, Nina divide a humanidade entre pessoas ordinárias e extraordinárias. Ela mora em um quarto alugado por Dona Eulália, sua senhoria. A garota, distante da família, procura sobreviver num ambiente hostil; enfrentando vários percalços. A pobreza e a humilhação fazem parte de seu cotidiano.

 

Estreando como diretor de longas-metragens, Heitor Dhalia apropria-se de um clima opressivo a la Roman Polanski para construir o universo de Nina: ambientação decadente, com luzes opacas e cores escuras (tentando recriar, na São Paulo do século XXI, a atmosfera carregada do romance de Dostoievski). O filme é baseado livremente em “Crime e Castigo” – e não uma transposição da obra para as telas. O resultado final, porém, deixa a desejar.

 

Embora passando por dificuldades financeiras, Nina não hesita em pagar a corrida de uma desconhecida, que apanha de um taxista (e ainda recusa-se a aceitar o dinheiro da prostituição). Os fantasmas da infância – e a sensação de ser perseguida – também aparecem para atormentá-la. O longa-metragem conta com a participação especial de diversos atores renomados, como Wagner Moura, Selton Mello, Renata Sorrah, Lázaro Ramos e Matheus Nachtergaele. Este é o último trabalho da atriz Myriam Muniz, que rouba a cena como a perversa Dona Eulália (ela faleceu em setembro de 2004).

 

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do livro de Fyodor Dostoievski

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Trecho do filme:

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3. O CHEIRO DO RALO

 

Título original do filme: O Cheiro do Ralo

País de origem: Brasil

Ano da produção: 2007

Direção: Heitor Dhalia

Elenco: Selton Mello, Paula Braun, Fabiana Guglielmetti, Suzana Alves, Alice Braga, Milhem Cortaz, Lourenço Mutarelli e Xico Sá

Duração: 100 min

Baseado no livro homônimo de Lourenço Mutarelli

Filme apresentado no dia 25/08/2009

 

Dono de uma loja de artigos usados, Lourenço compra qualquer coisa que lhe desperte interesse. Levando uma vida convencional (está noivo), ele administra o galpão com uma secretária e um segurança. O banheiro de seu escritório exala um odor desagradável. Lourenço faz questão de esclarecer, a todos que aparecem para oferecer suas mercadorias, que o cheiro vem do ralo – e não dele.

 

Repetindo as parcerias do filme anterior, Heitor Dhalia agora adapta o livro de Lourenço Mutarelli (autor das animações vistas em “Nina” e que, aqui, ainda interpreta um segurança) e volta a trabalhar com Marçal Aquino e Selton Mello. A produção, orçada originalmente em R$2,5 milhões, foi realizada com apenas R$ 315 mil (montante levantado entre sócios privados e produtores-executivos). A história é ambientada em São Paulo.

 

Conforme o odor aumenta, mais paranóico o personagem principal se torna. Por achar que todos têm um preço, Lourenço trata os fornecedores como mercadoria – utilizando uma boa dose de sarcasmo com eles. O olho de vidro e a bunda da garçonete são suas maiores obsessões. Com inúmeras situações bizarras, “O Cheiro do Ralo” pode ser considerado um “Blow-Up” tupiniquim. Destaque para a interpretação de Selton Mello, premiada no Festival do Rio e no Festival de Cinema de Punta Del Leste.

 

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do livro de Lourenço Mutarelli

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Trechos do filme:

CENA 1CENA 2

 

 

 



4. O IDIOTA

 

Título original do filme: Hakuchi

País de origem: Japão

Ano da produção: 1951

Direção: Akira Kurosawa

Elenco: Takashi Shimura, Toshiro Mifune, Minoru Chiaki, Masayuki Mori, Eiko Myioshi, Setsuko Hara e Chieko Higashiyama

Duração: 166 min

Baseado no livro homônimo de Fyodor Dostoievski

Filme apresentado no dia 03/09/2009

 

Dostoievski acreditava que os “idiotas” – ou seja, os abnegados que conduzem suas vidas dentro da verdadeira compaixão cristã e até se prejudicam em nome do próximo – jamais encontrariam um jeito de viver harmoniosamente dentro de uma sociedade corrompida. O personagem central do livro, Liev Nikoláievitch Michkin, é humilhado e ridicularizado pelos seus semelhantes.

 

Nesta adaptação cinematográfica, Kurosawa moderniza a história e transfere a ação da Rússia no verão para o Japão no inverno. Kameda sai de um hospício em Okinawa e muda-se para Hokkaido. Ele reencontra seu amigo Akama que, até então, encontrava-se exilado. Na nova cidade, Kameda se envolve com duas mulheres: Taeko e Ayako. Quando Akama percebe que nunca terá Taeko (que ama Kameda), ele planeja uma vingança contra o rival.

 

O diretor teve problemas com o estúdio e viu seu filme ser reduzido de 265 minutos para 166 minutos. Por essa razão, o espectador não familiarizado com a trama de Dostoievski pode encontrar dificuldades para compreender a adaptação de Kurosawa. Logo no início, por exemplo, Kameda conta o pesadelo que tivera no trem à Akama. A cena é interrompida por um letreiro que parece explicar o que ficou de fora devido aos cortes do estúdio – assim como o resto dos letreiros que se seguem. A versão integral do filme nunca foi lançada. 

 

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do livro de Fyodor Dostoievski

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Trecho do filme:

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CRONOGRAMA DA OFICINA – 2º SEMESTRE

Dando continuidade aos encontros do segundo semestre, Fabiana Vascon retoma a oficina “Literatura no Cinema” na Biblioteca Pública Roberto Santos, no Ipiranga. Às terças, são exibidos e comentados os filmes; às quintas, serão abordadas as obras literárias. Os encontros acontecem entre 11 de agosto e 03 de setembro, com início às 19h.

 

Agosto de 2009

Dia 11 – Apresentação do filme “Inquisição”, de Betsan Morris Evans.

Dia 13 – Discussão sobre o fragmento do livro “Os Irmãos Karamazov”, de Fyodor Dostoievski.

Dia 18 – Apresentação do filme “Nina”, de Heitor Dhalia.

Dia 20 – Discussão sobre o livro “Crime e Castigo”, de Fyodor Dostoievski.

Dia 25 – Apresentação do filme “O Cheiro do Ralo”, de Heitor Dhalia.

Dia 27 – Discussão sobre a obra “O Cheiro do Ralo”, de Lourenço Mutarelli.

 

Setembro de 2009

Dia 01 – Apresentação do filme “O Idiota”, de Akira Kurosawa.

Dia 03 – Discussão sobre o livro “O Idiota”, de Fyodor Dostoievski.

 

BIBLIOTECA PÚBLICA ROBERTO SANTOS

(TEMÁTICA EM CINEMA)

R. Cisplatina, 505, Ipiranga (zona sul), São Paulo, SP

Tel: (11) 2273-2390 e (11) 2063-0901

 

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Nota da revista Em Cartaz – AGO/2009, pg. 50:

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BLOW-UP – DEPOIS DAQUELE BEIJO


1. BLOW-UP – DEPOIS DAQUELE BEIJO

 

Título original do filme: Blow-Up

País de origem: Inglaterra, Itália

Ano da produção: 1966

Direção: Michelangelo Antonioni

Elenco: David Hemmings, Vanessa Redgrave, Sarah Miles, Verushka, Jane Birkin

Duração: 111 min

Baseado no conto “Las Babas del Diablo”, de Julio Cortázar

Filme apresentado no dia 28/04/2009

 

Assim como a narrativa permite múltiplas leituras, o título do filme – em inglês – oferece distintos significados. “Blow-Up” serve tanto para designar o verbo “explodir”, como também é utilizado quando alguém deseja “ampliar” uma fotografia. O nome original já diz muito do que teremos pela frente; enquanto o subtítulo nacional não acrescenta nada à obra de Michelangelo Antonioni.

 

No conto de Cortázar, toda a história se desenrola em Paris. No longa-metragem, entretanto, o diretor preferiu que a ação transcorresse em Londres. O personagem principal é um fotógrafo que, ao ampliar as fotos que tirou de um casal anônimo, em um parque da cidade, percebe que acabou registrando um assassinato. Paira no ar um clima nonsense. O espectador é contemplado com uma bela fotografia, que ilustra inúmeras situações absurdas.

 

“Blow-Up” é, antes de tudo, o retrato de uma época: beldades como Vanessa Redgrave e Jane Birkin – a futura esposa de Serge Gainsbourg que, aqui, aparece nua – passeiam pela tela ao som da trilha sonora assinada por Herbie Hancock.

 

Numa das cenas mais emblemáticas, o fotógrafo transita entre a platéia que assiste ao show dos lendários Yardbirds; grupo que revelou ao mundo os talentosos guitarristas Eric Clapton (que não fazia mais parte da banda durante as filmagens), Jeff Beck (que aparece destruindo seu instrumento) e ainda Jimmy Page (futuro membro-fundador do Led Zeppelin). A música que eles tocam é “Stroll On”, uma variação de “The Train Kept a Rollin”.

 

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Trechos do Filme:

CENA 1CENA 2

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A QUEDA DA CASA DE USHER e O ILUMINADO


2. A QUEDA DA CASA DE USHER

 

Título original do filme: La Chute de la Maison Usher

País de origem: Estados Unidos, França

Ano da produção: 1928

Direção: Jean Epstein

Elenco: Marguerite Gance, Jean Debucourt, Charles Lamy, Fournez-Goffard, Luc Dartagnan, Halma, Pierre Hot

Duração: 63 min

Baseado no conto homônimo de Edgar Allan Poe

Filme apresentado no dia 05/05/2009

 

Preocupado com Roderick Usher, Allan decide visitar o amigo em seu castelo. Durante a longa viagem para chegar ao local, ele se hospeda num hotel e solicita que o levem à residência do anfitrião. Os populares relutam (pois eles acreditam que a casa de Usher seja amaldiçoada), mas Allan consegue o transporte necessário para conduzi-lo até lá.

 

Com a ajuda de um médico, Roderick toma conta de Madeleine, sua esposa – que está sucumbindo a uma doença desconhecida. Usher pinta um quadro de sua amada. Cada vez que posa para a pintura, ela fica mais exausta. Parece que o quadro suga as energias de sua modelo e, uma vez finalizada a pintura, Madeleine morrerá.

 

Jean Epstein realiza uma livre adaptação do enredo de Edgar Allan Poe (que também inclui citações a outros contos do escritor; mais notadamente a “O Retrato Oval”). Na história original, Roderick e Madeleine são irmãos gêmeos – e não um casal. Entretanto, o diretor preferiu eliminar do filme qualquer sugestão de incesto.

 

O papel de Madeleine é desempenhado por Marguerite Gance, esposa do celebrado cineasta Abel Gance. Outra colaboração é a de Luis Buñuel que, aqui, é assistente de direção e co-autor do roteiro. Um ponto negativo é a versão em DVD lançada no Brasil – que traz os letreiros originais em francês, uma desnecessária narração em inglês e ainda as legendas em português.

 

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do livro de Edgar Allan Poe

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Trecho do Filme:

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3. O ILUMINADO

 

Título original do filme: The Shining

País de origem: Estados Unidos

Ano da produção: 1980

Direção: Stanley Kubrick

Elenco: Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd, Scatman Crothers, Barry Nelson, Philip Stone e Joe Turkel

Duração: 142 min

Baseado no livro homônimo de Stephen King

Filme apresentado no dia 12/05/2009

 

Buscando tranquilidade para escrever seu livro, o ex-professor Jack Torrance aceita o emprego de zelador do Overlook Hotel (fixado nas montanhas do Colorado). O inverno rigoroso afasta os hóspedes do lugar nessa época do ano. Ele parte para o isolamento acompanhado de Winifred “Wendy”, sua esposa, e de Danny, seu filho sensitivo – que, desde o começo, sabe que existe algo de errado no local.

 

Centrado na interpretação histriônica de Jack Nicholson, Kubrick resolve mudar o enfoque da narrativa e o resultado final é confuso. O iluminado a que o título se refere é Danny – e não Jack. O diretor cria uma atmosfera sombria, gerando mais um suspense psicológico do que uma história de horror.

 

Não fica evidente, em momento nenhum, que Jack é um alcoólatra. Ao omitir esse fato, algumas cenas soam deslocadas e sem sentido. A participação de Scatman Crothers é completamente desperdiçada – e o ator ainda foi vítima do perfeccionismo de Kubrick, que o obrigou a realizar 160 tomadas de uma mesma cena! Em um outro exemplo de maluquice, o diretor exigiu que a frase do livro de Jack – “All work and no play makes jack a dull boy” – fosse datilografada centenas de vezes; e não simplesmente copiada...

 

Com tantas alterações, não é à toa que Stephen King tenha ficado insatisfeito com o filme (e, anos depois, tenha autorizado uma nova adaptação). Na trilha sonora, ouvimos temas compostos por Béla Bartók e Gyorgy Ligeti.

 

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Trecho do Filme:

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O MÉDICO E O MONSTRO e FRANKENSTEIN


4. O MÉDICO E O MONSTRO

 

Título original do filme: Dr. Jekyll and Mr. Hyde

País de origem: Estados Unidos

Ano da produção: 1932

Direção: Rouben Mamoulian

Elenco: Fredric March, Miriam Hopkins, Rose Hobart, Holmes Herbert, Halliwell Hobbes, Edgard Norton, Tempe Piggott

Duração: 98 min

Baseado no livro “The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde” (traduzido como “O Médico e o Monstro” em português), de Robert Louis Stevenson

Filme apresentado no dia 19/05/2009

 

Bastante respeitado pela sociedade de Londres, o médico e cientista Henry Jekyll acredita que o lado mal das pessoas possa ser separado do lado bom. Sendo assim, ele inicia os experimentos para comprovar sua teoria. Na vida pessoal, Jekyll pretende casar-se com Muriel Carew – mas, para que isso aconteça, o médico deve enfrentar a resistência do pai da moça (um general possessivo e temperamental, que atormenta os dois).

 

A cidade é assolada por uma sucessão de crimes cometidos pelo Sr. Hyde, que mantém um estranho vínculo com Jekyll. Além de ter acesso irrestrito à sua casa e laboratório, Hyde ainda aterroriza a vida da pobre Ivy Pierson. A proximidade entre duas pessoas tão distintas levanta a suspeita dos amigos do cientista...

 

Apesar de realizada em 1932, a adaptação de Rouben Mamoulian é extremamente moderna – com uma montagem ágil e efeitos especiais impressionantes. No livro, porém, a figura feminina não existe. A “boa” Muriel e a “má” Ivy (assim como Jekyll e Hyde, a dupla principal) sintetizam a dualidade inerente à própria natureza humana; que é tão bem retratada por Robert Louis Stevenson. Vários críticos afirmam que, mesmo com inúmeras refilmagens, esta é a melhor versão de todas.

 

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do livro de Robert Louis Stevenson

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Trecho do Filme:

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5. FRANKENSTEIN

 

Título original do filme: Frankenstein

País de origem: Estados Unidos

Ano da produção: 1931

Direção: James Whale

Elenco: Boris Karloff, Colin Clive, Mae Clarke, John Boles, Frederick Kerr

Duração: 71 min

Baseado no livro "Frankenstein ou O Moderno Prometeu", de Mary Shelley

Filme apresentado no dia 26/05/2009

 

As diferenças radicais entre o filme de James Whale e o romance de Mary Shelley não diminuem o charme da versão cinematográfica. A obra de 1931 serviu de referência a muito do que Hollywood produziu posteriormente. E a magnífica interpretação de Boris Karloff como a criatura – um dos grandes atores do gênero de horror, ao lado de figuras como Bela Lugosi, Vincent Price e Christopher Lee – é um dos grandes atrativos dessa adaptação.

 

A história começa com o cientista Henry Frankenstein e seu ajudante Fritz coletando pedaços de corpos de cadáveres em um cemitério. Montando um quebra-cabeça macabro, Henry pretende dar vida a um ser inanimado. Porém, ele nem desconfia que o cérebro implantado no monstro pertencia a um criminoso... Dr. Waldman (seu antigo tutor), Victor (seu melhor amigo) e Elizabeth (sua noiva) tentam dissuadi-lo da idéia.

 

A troca de nomes dos personagens centrais – no livro, o cientista chama-se Victor e o ajudante, Igor – não é a principal mudança em relação ao texto original. A criatura de James Whale é animalesca, incapaz de se expressar. Com um raio, numa noite de tempestade, Henry consegue animar o inanimado. Assim que a mão de Karloff se move, o cientista anuncia às incrédulas testemunhas: “It’s alive, it’s alive” (Está vivo, está vivo). Mas quando as coisas começam a dar errado, Henry – que se julgava Deus – recorre ao Todo-poderoso e à sua misericórdia; o que nos leva a inevitável pergunta: afinal de contas, o verdadeiro monstro é a criatura ou o criador?

 

No imaginário popular, Frankenstein é a criatura – e não seu criador. Stephen King diz que a popularização da figura do monstro se deve, em grande parte, ao cinema. Ele sustenta que o livro da escritora inglesa não é tão famoso quanto as incontáveis adaptações para as telas. Opiniões à parte, ambas as obras merecem ser conhecidas.

 

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do livro de Mary Shelley

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SOLARIS e MACUNAÍMA


6. SOLARIS

 

Título original do filme: Solyaris

País de origem: União Soviética

Ano da produção: 1972

Direção: Andrei Tarkovsky

Elenco: Natalya Bondarchuk, Donatas Banionis, Yuri Yarvet, Nikolai Grinko, Anatoli Solonitsyn e Vladislav Dvozhetsky

Duração: 165 min

Baseado no livro homônimo de Stanislaw Lem

Filme apresentado no dia 02/06/2009

 

Em órbita no planeta Solaris, os três cosmonautas remanescentes – Snouth, Sartorius e Gibarian – enviam inusitadas transmissões para a Terra. Na tentativa de salvar a missão e recomendar um plano de ação à agência, é enviado o psicólogo Kris Kelvin. Um dia antes da partida, ele é visitado por um ex-astronauta chamado Berton que, anos antes, foi mandado numa missão de resgate e teve um encontro perturbador com um ser criado pelo oceano inteligente do planeta. Apesar dos alertas, Kelvin acredita que a radiação despejada no oceano de Solaris acabará com as estranhas ocorrências.

 

Chegando à estação, o psicólogo é recebido com apatia pelos tripulantes e ainda descobre o suicídio de Gibarian (causado pelas visões que o atormentavam). Após uma boa noite de sono, Kelvin reconsidera os avisos de Berton ao se deparar com Hari, a “geléia” – uma cópia exata de sua falecida esposa, que aparece misteriosamente na estação espacial.

 

Tarkovsky impõe seu estilo habitual e, subvertendo a ficção científica, explora mais as neuroses dos personagens do que o espaço que os rodeia. Transposto para qualquer outro ambiente, o enredo continuaria a fazer sentido (o que diminui o viés “científico” do filme). Solaris traz algumas belas imagens, como a cena dos 30 segundos da imponderabilidade ou a sequência do automóvel percorrendo as ruas de Tóquio. Nesse longa-metragem – que dura quase três horas –, o ritmo lento exige atenção redobrada por parte do espectador.

 

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Trecho do Filme:

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7. MACUNAÍMA

 

Título original do filme: Macunaíma

País de origem: Brasil

Ano da produção: 1969

Direção: Joaquim Pedro de Andrade

Elenco: Grande Otelo, Paulo José, Jardel Filho, Dina Sfat, Mílton Gonçalves, Rodolfo Arena, Joana Fomm

Duração: 110 min

Baseado no livro “Macunaíma – O Herói sem Nenhum Caráter”, de Mário de Andrade

Filme apresentado no dia 16/06/2009

 

O grito de guerra do nosso herói não poderia ser outro: “Ai, que preguiça!”. Macunaíma sabe o que é bom e, como todo brasileiro, só pensa em levar vantagem. Adora dinheiro, mulheres e tem aversão ao trabalho. Publicado em 1928, o livro de Mário de Andrade faz uma verdadeira radiografia da identidade nacional – que, sejamos francos, permanece atualíssima!

 

Joaquim Pedro de Andrade usa a história como ponto de partida para criticar o Brasil da época, que estava no auge da repressão militar. A versão cinematográfica é fiel ao espírito da obra, embora apresente algumas intervenções poéticas (basta lembrar da guerrilheira Ci, vivida pela bela Dina Sfat). Mesmo com a implicância da censura, o filme é lançado. O retorno expressivo de bilheteria tornou Macunaíma o primeiro sucesso comercial do Cinema Novo.

 

Destaque para o elenco, que conta com atuações magistrais de Grande Otelo e Paulo José, entre outras. Seja no mato ou na metrópole, o herói sem nenhum caráter – filho de mãe virgem e que, de negro retinto, transforma-se em branco – não deixa de aprontar das suas. O bom humor e o toque surreal são os alicerces desta feliz adaptação para as telas.

 

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do livro de Mário de Andrade

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Trecho do Filme:

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Abril de 2009

Dia 28 - Apresentação do filme "Blow-Up – Depois Daquele Beijo", de Michelangelo Antonioni.

Dia 30 - Discussão sobre o filme e o conto de Julio Cortázar.

 

Maio de 2009

Dia 05 - Apresentação do filme "A Queda da Casa de Usher", de Jean Epstein.

Dia 07 - Discussão sobre o filme e o conto de Edgar Allan Poe.

Dia 12 - Apresentação do filme "O Iluminado", de Stanley Kubrick.

Dia 14 - Discussão sobre o filme e o livro homônimo de Stephen King.

Dia 19 - Apresentação do filme "O Médico e o Monstro", de Rouben Mamoulian.

Dia 21 - Discussão sobre o filme e livro de Robert Louis Stevenson.

Dia 26 - Apresentação do filme "Frankenstein", de James Whale.

Dia 28 - Discussão sobre o filme e o livro homônimo de Mary Shelley.

 

Junho de 2009

Dia 02 - Apresentação do filme "Solaris", de Andrei Tarkovsky.

Dia 04 - Discussão sobre o filme e o livro homônimo de Stanislaw Lem.

Dia 16 - Apresentação do filme "Macunaíma", de Joaquim Pedro de Andrade.

Dia 18 - Discussão sobre o filme e o livro “Macunaíma – O Herói sem Nenhum Caráter”, de Mário de Andrade. Término da oficina.

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LITERATURA NO CINEMA – VIRIATO CORRÊA

A Subprefeitura da Vila Mariana – em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura – adquiriu e instalou novos equipamentos de projeção eletrônica e de som no auditório da Biblioteca Pública Viriato Corrêa. No dia 27 de junho de 2008, o espaço foi oficialmente reinaugurado como Sala Luiz Sergio Person (em homenagem ao autor de “São Paulo S/A”, clássico do cinema nacional, realizado em 1965).

 

A Viriato Corrêa é uma biblioteca especializada em Literatura Fantástica e possui um acervo com diversos títulos dedicados ao tema. Em abril de 2009, a professora de literatura Fabiana Vascon retoma a oficina “Literatura no Cinema” na Biblioteca Pública Viriato Corrêa (só que, agora, com o foco voltado para o Cinema Fantástico).

 

Confira a nota publicada sobre o curso no folder da biblioteca, em abril de 2008:

 

LITERATURA FANTÁSTICA NO CINEMA

 

A professora de literatura Fabiana Vascon mostra aos participantes o cruzamento das duas expressões artísticas: a arte na linguagem cinematográfica e na literária, através de análises e comparações entre os livros e suas adaptações para o cinema.

 

A cada semana, um clássico da literatura fantástica é comentado pela professora e debatido com os participantes. Às terças, são exibidos os filmes; às quintas, as obras cinematográficas são comentadas. Os encontros acontecem de abril a junho, com inicio às 19h. Você pode se inscrever para todas as oficinas, com direito a certificado no final, ou participar apenas dos encontros de seu interesse. Inscrições na biblioteca, pelo tel. 5573-4017.

 

Na primeira semana, será apresentado o filme “Blow-Up – Depois Daquele Beijo” (Michelangelo Antonioni, 1966, inspirado em “Las Babas del Diablo”, de Julio Cortázar). As próximas obras abordadas serão “A Queda da Casa de Usher”, “O Iluminado”, “O Médico e o Monstro”, “Frankenstein”, “Solaris” e “Macunaíma”.

 

Início dias 28 e 30 de abril, terça e quinta, às 19h.

 

BIBLIOTECA PÚBLICA VIRIATO CORRÊA

(TEMÁTICA EM LITERATURA FANTÁSTICA)

Rua Sena Madureira, 298, Vila Mariana (zona sul), São Paulo/SP

Tel: (11) 5573-4017 e (11) 5574-0389

 

TODA A PROGRAMAÇÃO DAS BIBLIOTECAS DE SÃO PAULO É GRATUITA.

 

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Como forma de registrar os encontros da oficina “Literatura no Cinema” na Biblioteca Pública Roberto Santos em 2008, foi realizado este vídeo amador.

 

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Alguns dos textos produzidos pelos participantes durante a oficina:



1. OTHELLO

Título original do filme: The Tragedy of Othello – The Moor of Venice
País de origem: Estados Unidos, Itália, França e Marrocos
Ano da produção: 1952
Direção: Orson Welles
Elenco: Orson Welles, Michael MacLiammoir, Robert Coote, Suzanne Cloutier, Hilton Edwards, Nicholas Bruce e Michael Laurence
Duração: 93 min
Baseado no livro “Othello”, de William Shakespeare
Filme apresentado dia 02/09/2008

Análise de Claudio Rosa Araújo

Alguns podem se perguntar o que tem em comum Dom Casmurro e Machado de Assis. A resposta óbvia: os dois são gênios. Fato. Pois bem ora pois, não negarei nem o gênio, muito menos a humanidade. Aliás, vou me focar mais nisso. Humanidade, digo, o Homem.

Em Othello, podemos ver a indução do homem, a manipulação bem armada, algo que corrói e destrói o mais nobre do homem e o mais nobre que um homem pode ser. Shakespeare escolheu um grande guerreiro mouro. Agora, o que é usado para destruí-lo? O amor e, por consequência, o ciúme; aliado a um manipulador de lábia impecável (ou bem pecável). Já em Dom Casmurro, vemos a construção de um homem, a construção de seu amor e a conclusão com a dúvida. Quer coisa mais humana que a dúvida?

É através desta linha, deste fio condutor - o homem e seus questionamentos - que trabalhamos a discussão realizada na Biblioteca Roberto Santos, dentro da oficina Literatura no Cinema, conduzida pela professora Fabiana Vascon. Chegamos a pontos como a "jornada do homem", que não aprofundamos, só cutucamos. Precisamos ler Joseph Campbell (e quem não precisa?). A questão da relação homem-mulher ou da "instituição" casamento.

A intertextualidade nos proporciona coisas incríveis, como encontrar Iago em Dom Casmurro. Mais precisamente dentro de Bentinho, através de seu nome Bentinho Sant-Iago. Quer coisa mais clara que isso, a dúvida até no nome? Machado não fez sem querer. Ponto. A humanidade nos proporciona, felizmente, tais conversas entre seus gênios (mesmo separados por 400 anos) e, infelizmente, podemos conversar poucas vezes sobre isso.

Não gostaria que fôssemos como um pássaro que aprende coisas por necessidade, por sobrevivência e que, através disso, desenvolve métodos de pesca. Alguns deles geniais, mas que ficam com ele só até a morte. Por isso, deveríamos nos focar na genialidade, digo, na humanidade: no homem e na sua diferença, mesmo que escassa, chamada comunicação. É simples. Alguns já nos ensinaram e nos deixaram registros. Ao contrário do pássaro, nos basta olhar com atenção; ter um olhar mais atento, ter um certo frame - como nos disse Win Wenders no "Janela da Alma".

Refaço a pergunta: o que tem em comum Othello e Dom Casmurro? O que tem em comum Shakespeare e Machado? O que eu e você temos comum? Me reservo o direito de ficar com as dúvidas e de fazer as perguntas. E, de vez em quando, cutucar para ser provocado de volta.

PS: Temos que sair com mais perguntas de debates.

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Trecho do filme:
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2. ABRIL DESPEDAÇADO

País de origem: Brasil

Ano da produção: 2001

Direção: Walter Salles

Elenco: José Dumont, Rodrigo Santoro, Ravi Ramos Lacerda, Flavia Marco Antonio, Rita Assemany, Luiz Carlos Vasconcelos, Wagner Moura, Othon Bastos e Gero Camilo

Duração: 95 min

Baseado no livro “Abril Despedaçado”, de Ismail Kadaré

Filme apresentado no dia 01/10/2008

 

Análise de Fabio Ramos

 

“Abril Despedaçado” foi o primeiro filme que Walter Salles realizou após o êxito de “Central do Brasil”. Impressionadíssimo com o que lera no livro homônimo de Ismail Kadaré, o cineasta logo vislumbrou a possibilidade de adaptar essa história de vingança entre famílias rivais para as telas do cinema.

 

Mas ao contrário do romance – cuja ação transcorria na Albânia, terra natal do escritor –, Walter optou em transpor aquela narrativa soturna para o nordeste brasileiro (ao encontrar diversas semelhanças da vendeta albanesa com o tradicional código de vingança nordestino).

 

Assim como em “Central”, o novo longa-metragem também é conduzido por um garoto. O personagem Pacu, interpretado por Ravi Ramos Lacerda, é o caçula da família Breves. Passando por dificuldades econômicas, eles agora plantam cana e produzem rapadura na única fazenda que possuem. Já com os Ferreira, que tomaram suas propriedades, a situação é completamente oposta: eles criam gado e desfrutam de uma vida próspera. A disputa pelas terras já resultou em mortes de ambos os lados; sendo que a última vítima é Inácio (irmão mais velho do menino).

 

Na cena em que os Breves são apresentados no filme, eles rodam em volta de uma bolandeira – instrumento circular acionado pelo caminhar dos bois – para extrair o caldo de cana. Quem determina o ritmo do mecanismo (e o destino sangrento da família) é o austero pai (José Dumont). Ali, cada um deve cumprir com a sua obrigação. Segundo a própria definição de Pacu, a função do seu irmão Tonho (Rodrigo Santoro) é “moer a cana” e a de sua mãe (Rita Assemany) é “recolher os bagaços”.

 

A camisa de Inácio está estendida num varal. E quando a mancha de sangue amarela, o pai ordena que Tonho – em nome da “honra” da família – vingue a morte do irmão. Apesar de não concordar com a perpetuação da barbárie, ele não questiona a incumbência estabelecida pela autoridade máxima da casa.

 

Tonho sabe que, se matar o Ferreira que assassinou Inácio, ele será o próximo da lista. Mas a sina severina se completa. O avô do falecido concede uma trégua ao rapaz; que só terá validade até o sangue na camisa do Ferreira morto amarelar. O velho amarra uma fita preta no braço de Tonho e diz que, a partir daquele momento, a vida dele se dividia entre seus 20 anos de existência e o pouco tempo que lhe restava. Em suma, ele está condenado a morrer sem conhecer o mundo e o amor.

 

Walter Salles foge dos estereótipos ao não retratar os nordestinos de “Abril Despedaçado” de forma caricata – algo tão recorrente nas novelas e no cinema nacional da atualidade. Para suavizar o caráter lúgubre da trama, ele introduz os personagens Salustiano (Luiz Carlos Vasconcelos) e Clara (Flavia Marco Antonio); por quem Tonho se apaixona. Os dois artistas mambembes, perdidos, vão parar na fazenda de Riacho das Almas (o lar dos Breves). Pacu indica o caminho da cidade aos andarilhos e acaba recebendo um livro de Clara em retribuição. Ele não sabe ler, mas passa horas imaginando a história ao observar as ilustrações de sereias e peixes.

 

Difícil é não se identificar com a sinceridade dos comentários do menino, que transbordam inteligência. Destoando da família – que não verbaliza seus sentimentos –, ele arremata frases memoráveis como “A gente é que nem os boi: roda, roda e nunca sai do lugar” ou então “Pai diz que é olho por olho. E foi por olho de um, por olho de outro... Olho de um, por olho de outro... Que todo mundo acabou ficando cego”.

 

Como bom nordestino, mantenedor das tradições mais questionáveis, o patriarca abusa da brutalidade para se impor. Ele bate em Tonho por levar o irmão ao circo, toma o livro de Pacu... Intimidando os familiares, o pai reforça a idéia que, ali, o seu desejo arbitrário é a lei (e que nenhum deles irá manchar sua “honra” e/ou a de seus antepassados). Mas nem mesmo o patriarca é capaz de destruir a cumplicidade entre os dois irmãos. Na cena em que o menino empurra Tonho no balanço, eles trocam de papéis pela primeira vez antes do desfecho.

 

“Abril Despedaçado” é um tremendo filme. Na minha opinião, Salles se superou ao realizar uma obra ainda melhor do que “Central do Brasil”. Para quem não assistiu, fica aqui a dica!

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Trechos do Filme:

CENA 1 CENA 2

 

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LITERATURA NO CINEMA - ROBERTO SANTOS

Após uma longa reforma, a antiga Biblioteca Municipal do Ipiranga – rebatizada como Biblioteca Pública Roberto Santos, em homenagem ao diretor de “O Grande Momento” – foi reinaugurada no dia 14 de junho de 2008. Agora totalmente voltado para a sétima arte, o espaço oferece um acervo com 800 livros sobre o tema, uma sala de cinema com capacidade para 101 lugares (onde são exibidas diversas mostras cinematográficas) e ainda dispõe de 500 títulos em DVD, que podem ser assistidos em terminais instalados no local.

 

Entre os meses de agosto e dezembro de 2008, a professora de literatura Fabiana Vascon ministrou na Biblioteca Roberto Santos a oficina “Literatura no Cinema”. Nos encontros – realizados sempre às terças e quartas, às 19 horas –, Fabiana mostrou aos participantes o cruzamento de duas expressões artísticas: a arte na linguagem cinematográfica e na literária. Tanto as obras como os filmes eram comentados pela professora e debatidos com os participantes.

 

Eis a programação completa da oficina:

 

1º Módulo: A arte influencia e estimula o olhar [AGOSTO de 2008]

 

Dia 13 – Apresentação do documentário “Janela da Alma” e debate (o belo na arte; a música e a literatura como expressões do belo e das artes visuais).

Dia 19 – Apresentação do filme “As Horas”.

Dia 20 – O filme relacionado ao fragmento do romance “Mrs. Dalloway”, de Virginia Woolf.

Dia 26 – Apresentação do filme “Cinema Paradiso”.

Dia 27 – Debate: como a arte influencia a vida das pessoas e as transforma (unindo este filme às obras da aula anterior).

 

2º Módulo: Clássicos da literatura e do cinema [SETEMBRO de 2008]

 

Dia 02 – Apresentação do filme “Otelo”, de Orson Welles.

Dia 03 – Discussão sobre o filme e o drama de Shakespeare; ligando a “Dom Casmurro”, de Machado de Assis (como o filme altera a ordem linear para trabalhar com o conhecimento do público).

Dia 09 – Apresentação do filme “A Queda da Casa de Usher”.

Dia 10 – Discussão sobre o filme e o conto de Edgar Allan Poe (o Romantismo no texto escrito; o Expressionismo no Cinema; o suspense).

Dia 16 – Apresentação do filme “O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman.

Dia 17 – Discussão sobre o filme e o “Apocalipse”, da Bíblia: implicações filosóficas e visão histórica.

Dia 23 – Apresentação do filme “Ran”, de Akira Kurosawa.

Dia 24 – Discussão sobre o filme e “Rei Lear” (como a obra do autor clássico é adaptada à realidade medieval oriental).

 

3º Módulo: Personagem – Mistura de arte e vida [SET/OUT de 2008]

 

Dia 30 – Análise do conto “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, de Guimarães Rosa.

Dia 01 – Apresentação do filme “Abril Despedaçado”, de Walter Salles.

Dia 07 – Análise da adaptação de “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”.

Dia 08 – Discussão sobre contos e filmes.

Dia 14 – Apresentação do filme “O Corpo”.

Dia 15 – Discussão sobre o filme e o conto de Clarice Lispector.

Dia 21 – Apresentação do filme “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos.

Dia 22 – Discussão sobre o filme e o romance: a linguagem da seca; verossimilhança lingüística; discurso da personagem.

Dia 28 – Apresentação de “Dodes’ka-den”, de Akira Kurosawa.

Dia 29 – Discussão sobre o filme e o romance “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo: o retrato de vida das camadas mais pobres.

 

4º Módulo: O Desejo Proibido [NOV/DEZ de 2008]

 

Dia 04 – Apresentação do filme “O Processo”, de Orson Welles.

Dia 05 – Discussão sobre o filme e os contos “Diante da Lei” e “O Médico Rural”, de Franz Kafka.

Dia 11 – Apresentação do filme “Morte em Veneza”, de Luchino Visconti.

Dia 12 – Discussão sobre o filme e o romance de Thomas Mann (o clássico; elementos românticos; o mal e o deslumbramento).

Dia 18 – Apresentação do filme “A Dama das Camélias”.

Dia 19 – Discussão sobre o filme e o romance: Romantismo; comparações com obras diversas.

Dia 25 – Apresentação de “Lolita”, de Stanley Kubrick.

Dia 26 – Discussão sobre o filme e o romance de Vladimir Nabokov (erotismo; sensualidade; amor serôdio na literatura).

Dia 02 – Apresentação de episódios da minissérie “A Vida como Ela É”.

Dia 03 – Discussão sobre a obra de Nelson Rodrigues. Término da oficina.

 

BIBLIOTECA TEMÁTICA EM CINEMA ROBERTO SANTOS

Rua Cisplatina, 505, Ipiranga (zona sul), São Paulo/SP

Tel: (11) 2273-2390 e (11) 2063-0901

 

TODA A PROGRAMAÇÃO DAS BIBLIOTECAS DE SÃO PAULO É GRATUITA.

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